terça-feira, 2 de outubro de 2012

Allan Kardec - Simplesmente

Somos cidadãos do Universo.

Um dentre bilhões de nós, renascido a 3 de outubro, é um homem universal por motivos especiais. Através de estudos científicos, de métodos experimentais (observação, comparação, dedução), ele provou ao mundo a existência e a eternidade do Espírito, a reencarnação, a evolução contínua do ser, a comunicação com estes Espíritos via mediunidade.


Este cidadão revelou leis que regem a vida no Universo. Mostrou um Deus magnânimo e justo, cujas leis sábias e misericordiosas são iguais para todos, enfatizando que nossos sofrimentos caracterizam efeitos do nosso desrespeito a essas leis.



Muitas comunicações com o mundo espiritual foram relatadas por outros estudiosos, mas todas em caráter individual, restrito. O pedagogo e pesquisador Hippolyte Léon Denizard Rivail, após assistir a uma experiência de comunicação com os Espíritos, empenhou-se missionariamente em divulgar aqueles conhecimentos à humanidade. Antes, testou-os exaustivamente. Estava atendendo à convocação da Espiritualidade Superior para a realização de um trabalho de grandeza incomensurável. Trabalho em nível universal.



Ele realizou em 14 anos, entre maio de 1855, quando entrou em contato com o fenômeno mediúnico, e março de 1869, quando desencarnou, um trabalho que demandaria uma existência secular. Nascido em Lyon, na França, em 3 de outubro de 1804, este homem universal adotou, neste período em que decodificou os ensinamentos espirituais, o pseudônimo Allan Kardec. Esta identidade utilizara em existência remota, como um sacerdote druida. Mais uma atitude de humildade, para não ensejar dúvidas de que o Espiritismo é realmente obra dos Espíritos e não uma concepção humana, dele.



O professor Rivail, como até então era apenas conhecido, foi chamado a esta elevada missão de revelar a Doutrina Espírita, de decodificar conhecimentos universais, naturais. Ele é reconhecido como o Codificador do Espiritismo, tarefa que somente um ser com a sua nobreza de sentimentos, elevação de caráter, sólida e robusta inteligência poderia empreender.



O bom senso é uma de suas características mais apreciadas. Sempre ponderado, disse tudo aquilo que era necessário e nada daquilo que não devia dizer, embora o soubesse, deferindo ao tempo o surgimento das informações adicionais que o amadurecimento estava a recomendar.



Ilustre pedagogo, humanista e versado em línguas: além do francês, falava o alemão, o inglês, o italiano, o espanhol e o holandês. O professor Rivail escreveu obras educativas, de gramática, aritmética e outras disciplinas. Daí, sua preocupação em distinguir o mestre da Educação do Codificador. Por isto, Allan Kardec.



As reverências a ele não estão moldadas pelo fanatismo. Ao contrário, o respeito que lhe devotamos baseia-se no sincero apreço, consideração e estima que granjeou ao longo de sua existência.



Foi um gênio preparado desde a mais tenra idade, em todos os ramos do conhecimento, absorvendo brilhantemente os postulados da Pedagogia de Pestalozzi, base para o desempenho eficiente dos trabalhos da Codificação, uma empreitada árdua que lhe exigiu trabalho diuturno, paciência, abnegação, coragem e perseverança contínuas.



O Espiritismo não está personificado em nenhum homem. É obra dos Espíritos Superiores, que encontraram em Allan Kardec o mais abnegado missionário, o esteio na Terra para implementação da nova ordem prometida por Jesus.



O professor, homem de ciência respeitado, através dos fundamentos desta doutrina que abalou o mundo, derrotou o materialismo. E divulgou a necessidade da prática reiterada da lei de amor e caridade, valioso passaporte à conquista da felicidade que nunca se acaba.



Espírito milenar, missionário a serviço do Cristo, embora nascido na França, é cidadão universal porque suas revelações sobre o Universo, aos homens do Universo, o legitimam. 



Ofélia Candil, Araçatuba - São Paulo

O bom senso de Kardec e a falta que faz este mesmo bom senso no Movimento Espírita


Polêmica Espírita


Várias vezes já nos perguntaram por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas, dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários e, por vezes, contra nós. Acreditamos que o silêncio, em certos casos, é a melhor resposta. Aliás, há um gênero de polêmica do qual tomamos por norma nos abstermos: é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, como nos tomaria um tempo que podemos empregar mais utilmente, o que seria muito pouco interessante para os nossos leitores, que assinam a revista para se instruírem, e não para ouvirem diatribes mais ou menos espirituosas. Ora, uma vez engajado nesse caminho, difícil seria dele sair, razão por que preferimos nele não entrar, com o que o Espiritismo só tem a ganhar em dignidade. Até agora só temos que aplaudir a nossa moderação, da qual não nos desviaremos, e jamais daremos satisfação aos amantes do escândalo.

Entretanto, há polêmica e polêmica; uma há, diante da qual não recuaremos jamais: é a discussão séria dos princípios que professamos. Todavia, mesmo aqui há uma importante distinção a fazer; se se trata apenas de ataques gerais, dirigidos contra a doutrina, sem um fim determinado, além do de criticar, e se partem de pessoas que rejeitam por antecipação tudo quanto não compreendem, não merecem maior atenção; o terreno ganho diariamente pelo Espiritismo é uma resposta suficientemente peremptória e que lhes deve provar que seus sarcasmos não têm produzido grande efeito; também notamos que os gracejos intermináveis de que até pouco tempo eram vítimas os partidários da doutrina pouco a pouco se extinguem. Perguntamos se há motivos para rir quando vemos as idéias novas adotadas por tantas pessoas eminentes; alguns não riem senão com desprezo e pela força do hábito, enquanto muitos outros absolutamente não riem mais e esperam.

Notemos ainda que, entre os críticos, há muitas pessoas que falam sem conhecimento de causa, sem se darem ao trabalho de a aprofundar. Para lhes responder seria necessário recomeçar incessantemente as mais elementares explicações e repetir aquilo que já escrevemos, providência que julgamos inútil. Já o mesmo não acontece com os que estudaram e nem tudo compreenderam, com os que querem seriamente esclarecer-se e com os que levantam objeções de boa-fé e com conhecimento de causa; nesse terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabarmos de resolver todas as dificuldades, o que seria muita presunção de nossa parte. A ciência espírita dá os seus primeiros passos e ainda não nos revelou todos os seus segredos, por maiores sejam as maravilhas que nos tenha desvendado. Qual a ciência que não tem ainda fatos misteriosos e inexplicados? Confessamos, pois, sem nos envergonharmos, nossa insuficiência sobre todos os pontos que ainda não nos é possível explicar. Assim, longe de repelir as objeções e os questionamentos, nós os solicitamos, contanto que não sejam ociosos, nem nos façam perder o tempo com futilidade, pois que representam um meio de nos esclarecermos.

É a isso que chamamos polêmica útil, e o será sempre quando ocorrer entre pessoas sérias que se respeitam bastante para não se afastarem das conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem, por isso, deixar de nos estimarmos. Afinal de contas, o que buscamos todos nessa tão palpitante e fecunda questão do Espiritismo? O nosso esclarecimento. Antes de mais, buscamos a luz, venha de onde vier; e, se externamos a nossa maneira de ver, trata-se apenas de nossa maneira de ver, e não de uma opinião pessoal que pretendamos impor aos outros; entregamo-laue à discussão, estando prontos para a ela renunciar se demonstrarem que laboramos em erro. Essa polêmica nós a sustentamos todos os dias em nossa Revista, através das respostas ou das refutações coletivas que tivemos ocasião de apresentar, a propósito desse ou daquele artigo, e aqueles que nos honram com as suas cartas encontrarão sempre a resposta ao que nos perguntam, quando não a podemos dar individualmente por escrito, uma vez que nosso tempo material nem sempre o permite. Suas perguntas e objeções igualmente são objeto de estudos, de que nos servimos pessoalmente, sentindo-nos felizes por fazer com que nossos leitores os aproveitem, tratando-os à medida que as circunstâncias apresentam os fatos que possam ter relação com eles. Também sentimos prazer em dar explicações verbais às pessoas que nos honram com a sua visita e nas conferências assinaladas por recíproca benevolência, nas quais nos esclarecemos mutuamente.

Allan Kardec.

Fonte: Revista Espírita nov/1858