Os frutos bons todos apreciamos.
O próprio Jesus abordou de modo claro e sintético a questão do
merecimento ao afirmar: "A cada um, segundo suas obras". Para
ficarmos ainda nos Evangelhos, encontramos em Mateus (cap. VII, 7 a 11) a recomendação:
"Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos
abrirá".
Ou seja, a fé em Deus não dispensa o esforço individual para obter o que
se deseja. Para a Doutrina Espírita, a fé sem obras não tem valor. Ela tem que
se apresentar de modo ativo, dinâmico, autêntico.
Não basta a manifestação verbal sem a vivência prática. Inútil a fé que
se verga diante da primeira dificuldade, que não persevera. E principalmente
tem que estar de acordo com a razão, não contrariar a lógica e o bom senso.
Em outras palavras, é inaceitável e perigosa a fé cega, alimentada pela
ignorância condutora ao distanciamento da verdade e ao fanatismo.
Assim, é natural que o merecimento seja proporcional ao nosso trabalho
no bem. E quando digo isso não me refiro somente à caridade, à esmola.
Qualquer atividade que possa contribuir com o aperfeiçoamento do
indivíduo, seja físico, intelectual, social ou moral, traz como consequência
novas oportunidades de construção de si mesmo.
Pela lei de Causa e Efeito, sempre recebemos o retorno de cada
pensamento, palavra, expressão de sentimento ou ato praticado. Porém, ela
funciona nas duas vias, isto é, tanto para o bem, paz e felicidade, como para o
mal, perturbação e desconforto.
Resumindo: a semeadura
é livre, mas a colheita é obrigatória.
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Os frutos bons todos apreciamos |
O difícil é deglutir os frutos amargos
que as sábias e perfeitas leis da vida se nos impõem por força de nossas
escolhas infelizes anteriores.
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maçã estragada - qual a causa ou quais as causas? |
Nessa situação, hora de expiações e provas, temos que apresentar nosso
testemunho de fé verdadeira e nos resignar graças à compreensão de que as
vicissitudes pelas quais estamos passando não representam determinismo divino
ou capricho do destino.
Não há privilégios, boa estrela, sorte ou azar. A lei de justiça divina
se distribui no tempo mediante o mecanismo da reencarnação. Por isso, ao olhar
em redor temos a falsa impressão de que os bons e honestos sofrem enquanto os
agentes da maldade e corruptos prosperam impunemente.
Mas, em algum ponto do futuro,
todos teremos que nos defrontar com as próprias consciências culpadas pelas
agressões perpetradas contra a natureza e todos os seres vivos, especialmente
os humanos.
Deus é a suprema inteligência do Universo e causa
primária de todas as coisas, conforme a pergunta n° 1 de O Livro dos Espíritos.
Desta forma, ele concede ao homem agir pelo seu
livre-arbítrio para que o mesmo desenvolva-se espiritualmente até atingir
estágios superiores de perfeição relativa em confirmação às palavras do Cristo
"sois deuses" que refletem toda a potencialidade do espírito imortal.
Portanto, pertencerá a cada indivíduo tanto o mérito pelas vitórias adquiridas
sobre seus instintos inferiores como também os resultados desastrosos de seus
descontroles.
Os frutos bons todos apreciamos. O difícil é deglutir os frutos amargos
que as sábias e perfeitas leis da vida nos impõem pelas nossas escolhas
infelizes anteriores... Não há privilégios, boa estrela, sorte ou azar.
O homem deveria ter sempre em vista a transitoriedade da vida material
em que se encontra. Ele não é um corpo equipado com a lucidez de uma mente ou
alma, mas uma alma ou espírito temporariamente revestido de um corpo físico que
lhe serve de instrumento enquanto atua no palco da vida terrestre.
Enquanto não aceitar isso, permanece em equívoco grave sobre si mesmo e
seu futuro. Por conta dos interesses materiais distorce sua escala de valores
privilegiando sempre justamente aquilo que menos lhe pode ser útil.
Como nos alerta também o Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo
XVI, ao falar sobre "A verdadeira propriedade", no momento de acerto
de contas, após a desencarnação e chegada no mundo espiritual, não nos
perguntarão quantos bens possuíamos ou que posição social ocupávamos.
Simplesmente nos indagarão o que temos nas mãos, a soma de virtudes, os
tesouros a que Jesus se referiu, aqueles "imunes à ação dos ladrões, das
traças e da ferrugem".

Antes de mais nada é preciso seguir o ensinamento socrático
"Conhece-te a ti mesmo". Na verdade, a imensa maioria de nós
comporta-se de modo inadequado na ilusão quanto ao que somos, nossa natureza
íntima. E, mais importante ainda que nos reconhecermos como espíritos imortais
e responsáveis pelo próprio destino, é aprendermos a descobrir nossas
qualidades e defeitos, potencialidades e imperfeições, primeiro passo para a
correção de rota em nossas vidas.
Vidas, assim mesmo, no plural, pois todo esforço positivo carrega em si
a energia capaz de alterar o presente e o futuro, desta reencarnação e das
próximas, além do tempo de permanência na dimensão espiritual.
A reforma íntima exige esforço e perseverança, o que significa
acrescentar também muito tempo. Prazo este que nem sempre é suficiente o que
temos disponível nesta etapa reencarnatória. Afinal, ainda que por caminhos
tortuosos, nós estamos tentando fazer isso há milênios. Por tentativas e erros,
a duras penas, estamos aprendendo que o mal não compensa, que só nos faz sofrer
e torna cada vez mais distante a felicidade.
Cada existência é um novo curso que frequentamos. Alguns poucos são
diplomados com louvor; muitos são aprovados nos limites da avaliação e tantos
outros são reprovados e terão que recomeçar na próxima vida letiva.
Nada que seja legítimo e duradouro para o espírito é alcançado sem muito
trabalho, lutas e renúncias. É o preço a ser pago por aqueles que já se
conscientizaram que a vida material é passageira e que, embora seja justo
vivê-la bem, o mais importante é o patrimônio espiritual. Riqueza, fama, poder,
beleza, nada disso tem valor para o espírito.
E por que as pessoas não mudam seu foco, então? Por que insistem em agir
como se só existisse o "aqui" e o "agora"? Por que há
escassez de informação consistente e racional sobre a nossa origem, natureza e
destino.
Por desconhecimento ou má fé, por fanatismo ou interesses espúrios,
aqueles que deveriam orientar e preencher as lacunas de dúvidas angustiantes e
sombras intelectuais das pessoas, acabam por criar mundos de fantasias, bons
demais ou maus demais, irreais ambos. Fórmula perfeita de contornar esse
problema foi enunciado pelo Espírito Verdade "Amai-vos, este o primeiro
ensinamento; instrui-vos, este o segundo".
Por Wilson Czerski
-fonte ADE-PR