Fascinação
Allan Kardec disse, em "O Evangelho Segundo o
Espiritismo", que a fascinação é o pior tipo de obsessão. Trata-se de uma
ilusão provocada por um Espírito hipócrita que domina a mente do paciente,
distorcendo seu senso de realidade. O Espírito obsessor planeja muito bem seu
intento destrutivo e busca envolver o indivíduo em artimanhas mentais bem
preparadas.
As portas de entrada para a fascinação, como
sempre, são as falhas morais. É no orgulho de sua vítima que o Espírito
hipócrita encontra o alimento para fascinar-lhe a personalidade.
Para conseguir seu domínio, a entidade maldosa
exalta a vaidade do obsedado, fazendo-o sentir-se infalível e autoconfiante. A
ilusão é tamanha que o fascinado adquire uma grandiosa cegueira, o que não lhe
permite perceber o ridículo de certas ações que pratica.
Doutrinas absurdas, idéias contraditórias, teorias
impraticáveis podem ser oriundas da ação de médiuns ostensivos ou não, que
estão sob o império da fascinação. A pessoa fascinada dificilmente aceita sua
condição de enferma, o que dificulta a cura do processo obsessivo. Geralmente
se aborrece com as críticas e com as pessoas que não participam de sua
admiração e afasta-se de quem quer que possa abrir-lhe os olhos.
Do simples e ignorante, ao intelectual e letrado,
todos podem ser vítimas da fascinação.
Quanto à questão do médium objeto da
fascinação, nos dizem os Espíritos Superiores que “graças à essa ilusão o Espírito
dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as
doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas, como sendo as únicas
expressões da verdade“. (LM., cap. XXIII, 239) (destaque)
Texto retirado do
“Evangelho Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec
Os falsos profetas
não existem apenas entre os encarnados, mas também, e muito mais numerosos,
entre os Espíritos orgulhosos que, fingindo amor e caridade, semeiam a desunião
e retardam o trabalho de emancipação da Humanidade, impingindo-lhe os seus
sistemas absurdos, através dos médiuns que os servem. Esses falsos profetas,
para melhor fascinar os que desejam enganar, e para dar maior importâncias às
suas teorias, disfarçam-se inescrupulosamente com nomes que os homens só
pronunciam com respeito.
São eles que
semeiam os germes das discórdias entre os grupos que os levam isolar-se uns dos
outros e a se olharem com prevenções. Bastaria isso para os desmascarar.
Porque, assim agindo, eles mesmos oferecem o mais completo desmentido ao que
dizem ser. Cegos, portanto, são os homens que se deixam enganar de maneira tão
grosseira.
Mas há ainda
muitos outros meios de os reconhecer. Os Espíritos da ordem a que eles dizem
pertencer, devem ser não somente muito bons, mas também eminentemente
racionais. Pois bem: passai os seus sistemas pelo crivo da razão e do
bom-senso, e vereis o que restará. Então concordareis comigo em que, sempre que
um Espírito indicar, como remédio para os males da Humanidade, ou como meios de
realizar a sua transformação, medidas utópicas e impraticáveis, pueris e
ridículas, ou quando formula um sistema contraditado pelas mais corriqueiras
noções científicas, só pode ser um Espírito ignorante e mentiroso.
Por outro lado,
lembrai-vos de que, se a verdade nem sempre é apreciada pelos indivíduos,
sempre o é pelo bom-senso das massas, e isso também constitui um critério. Se
dois princípios se contradizem, tereis a medida do valor intrínseco de ambos,
observando qual deles encontra mais repercussão e simpatia. Com efeito, seria ilógico
admitir que uma doutrina cujo número de adeptos diminui, seja mais verdadeira
que outra, cujo número aumenta. Deus, querendo que a verdade chegue a todos, não a confina num círculo
restrito, mas a faz surgir em diferentes lugares, a fim de que, por toda parte,
a luz se apresente ao lado das trevas.
Repeli
impiedosamente todos esses Espíritos que se manifestam como conselheiros
exclusivos, pregando a divisão e o isolamento. São quase sempre Espíritos
vaidosos e medíocres, que tentam impor-se a pessoas fracas e crédulas,
prodigalizando-lhes louvores exagerados, a fim de fasciná-las e dominá-las. São
geralmente, Espíritos sedentos de poder, que, tendo sido déspotas no lar ou na
vida pública, quando vivos, ainda querem vítimas para tiranizar, depois da
morte. Em geral, portanto,desconfiai das comunicações que se caracterizam pelo
misticismo e a extravagância, ou que prescrevem cerimônias e práticas
estranhas. Há sempre, nesses
casos, um motivo legítimo de desconfiança.
Lembrai-vos,
ainda, de que, quando uma verdade deve ser revelada à Humanidade, ela é
comunicada, por assim dizer, instantaneamente, a todos os grupos sérios que
possuem médiuns sérios, e não a este ou aquele, com exclusão dos outros.
Ninguém é médium perfeito, se estiver obsedado, e há obsessão evidente quando
um médium só recebe comunicações de um determinado Espírito, por mais elevado
que este pretenda ser. Em conseqüência, todo médium e todo grupo que se julguem
privilegiados, em virtude de comunicações que só eles podem receber, e que,
além disso, se sujeitam a práticas supersticiosas, encontram-se
indubitavelmente sob uma obsessão bem caracterizada. Sobretudo quando o
Espírito dominante se vangloria de um nome que todos, Espíritos e encarnados,
devemos honrar e respeitar, não deixando que seja comprometido a todo instante.
É incontestável
que, submetendo-se ao cadinho da razão e da lógica toda a observação sobre os
Espíritos e todas as suas comunicações, será fácil rejeitar o absurdo e o erro.
Um médium pode ser fascinado e um grupo enganado; mas, o controle severo dos
outros grupos, com o auxílio do conhecimento adquirido, e a elevada autoridade
moral dos dirigentes de grupos, as comunicações dos principais médiuns,
marcadas pelo cunho da lógica e da autenticidade dos Espíritos mais sérios,
rapidamente farão desmascarar esses ditados mentirosos e astuciosos,
procedentes de uma turba de Espíritos mistificadores ou malfazejos.
ERASTO ,
Discípulo de São
Paulo , Paris, 1862
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